
Johann
Ás vezes nós temos que acreditar em coisas que nem é possível de acontecer ou existir, porque se a gente acreditar, nós vamos viver mais, nós vamos parar de ter tanto medo das coisas, eu sempre pensei nisso, mas eu não via o quando difícil é isso, o quando difícil é acreditar em outras coisas, até que isso realmente aconteceu comigo.
Nós estávamos rindo e conversando, eu sei que a gente deve ter pressa para pegar o colar, mas se a gente fosse lá, o pai e a tia dela ia achar muito estranho, falamos isso para o Derek e o Sebastian e eles concordaram conosco, pois tudo que a gente menos precisa é de pessoas que desconfiem da gente.
Eu não sabia o quando é bom ter amigos, o quando é bom ter pessoas a sua volta, conversando, rindo, brincando, até realmente isso acontecer comigo. Eu nunca tive amigos, como eu já falei, sempre fui sozinho e tentava me isolar o máximo possível, por causa do meu poder, coisa que eu acreditava ser uma maldição, descobri que sim, é uma maldição, mas tem um motivo para isso (coisa que eu acreditava não ter), e além do mais, eu não sou o único que carrega esse fardo, eu não sou o único que tem essa maldição, e isso por incrível que pareça, me acalma.
– O Johann é tão calado assim? – Eu estava tão perdido em meus pensamentos que acabei levando um susto quando eu escutei alguém falando, quando consegui me acalmar, eu percebi o que foi o que Derek falou.
– Sim, ele sempre foi assim, acho que por não ter amigos. – A Johanna falou.
– Eu entendo ele, nós dois não temos amigos, além de sermos antissociais, temos medo de ferir as pessoas graças aos nossos poderes. – Sebastian falou.
– Mas você pode acabar ferindo alguém?
– Sim, podemos, por isso decidimos que nada de ter amigos, é só nós dois no mundo, não é Derek?
– Com certeza.
– Eu não sou quieto. – Falei.
– Ah não, só parece uma múmia falando.
– Mana. – Gritei a repreendendo, agora todos estão contra mim? Só me faltava essa.
– Mudando de assunto, vocês dois vão dormir aqui?
– Se incomodam?
– Não.
– Eu me incomodo.
– Fica quieto, você não manda aqui.
Já fiquei quieto, ela manda eu obedeço, é o único jeito.
– Acho melhor a gente não ficar, o Johann não quer.
Que bom, imagina eles ficarem aqui? Não gosto de pessoas desconhecidas ficando no mesmo espaço que eu, me dá calafrios só de pensar.
– Pode ficar, o Johann que está sendo mal educado.
Eles concordaram, e depois mudaram de assunto, nem sei do que eles estão falando, e nem me interessa, eu só queria saber: como será que está a Saphira? Será que ela está bem? E esse tal de colar, o porquê está com ela? Ela não aparentava saber sobre nós, ou talvez ela saiba e está escondendo isso de nós, me dá uma raiva só de pensar e não ter respostas para o meus pensamentos. A minha vontade era de ir para a nova casa dela agora, mas o problema que a gente já foi, e se a gente for de novo, eles iam achar muito estranhos, mas eu vou amanhã, com certeza.
– Você conhece todos os seus poderes, Johann? – Derek falou agora direcionado a mim, o que tem essas pessoas hoje que só estão falando comigo? Eu acho estranho, acho que é por não ser acostumado a isso.
– Não sei, você conhece? – Derek acenou com a cabeça. – Então me fala, e eu falo se eu conheço ou não.
– Okay, sonhar com pessoas morrendo, – acenei com a cabeça – saber os sentimentos dos espíritos, – acenei – viajar nas sombras.
– Espera um pouco aí, ele tem mesmo esse poder? – O Derek acenou com a cabeça. – Que demais.
– Posso continuar?
– Sim. – Todo mundo concordou.
– Pelo visto você não conhecia esse poder, mas continuando, convocar espíritos, – neguei com a cabeça, eu estava surpreso, como assim eu tinha um poder desses e não sabia? – conjurar as sombras em volta de sí, – neguei com a cabeça – e por último, levar as pessoas de volta ao mundo inferior, e é com esse poder que você vai levar o Demônista de volta para o lugar que ele não deveria ter saído.
– Tem um plano? – Falei.
– Tenho, e é com esse plano que nós devemos pegar ele.
– Entendi. – Falei, depois de 5 minutos com todo mundo digerindo essas informações todas, eu falei de novo. – A Saphira tem algum poder?
– Sim, mas acho que nem ela mesma sabe.
– Como assim? – Anna Luisa falou.
– A gente espionou ela por 1 semana, e ela não fez nada de diferente nessa semana toda, só as mesmas coisas.
– Então como ela vai proteger o colar? – Perguntei na lata, não adianta ficar enrolando as coisas.
– Ai que está o problema, ela não vai, pois se ela não sabe dos seus poderes e nem sobre vocês, é impossível proteger ele.
– Eu estou tendo uns sonhos estranhos, eu estou sonhando com duas pessoas, e elas querem matar a Saphira, mas o problema é que eu não consigo ver essas duas pessoas.
– Uma delas deve ser o Demônista, já que ele é do seu território, você acaba sonhando com ele, mas se não consegue ver o rosto dele, talvez ele tenha te bloqueado de alguma forma.
– Isso é possível?
– Com certeza.
– O papo tá muito bom, mas precisamos ir dormir, amanhã o dia vai ser puxado. – Minha irmã ordenou, ela é muito mandona, não sei quem ela puxou.
Nós arrumamos as coisas para todo mundo se sentir confortável e poder dormir, e eu e a Johanna fomos para o nosso quarto, eu não tive coragem de nem de escovar os dentes e nem de tomar um banho, eu só queria deitar na cama e dormir e fingir que o dia de hoje não existiu.
O pior que eu não conseguia parar de pensar, eu só conseguia pensar e pensar e pensar, eu não conseguia fechar os olhos e dormir, acho que nem sei o significado dessa palavra nos últimos dias, faz tempo que não consigo dormir um sono sossegado, e foi só pensar nisso que eu dormi e acabei sonhando.
Primeiro foi com uma morte (ele tinha levado um tiro), por incrível que pareça eu não acordei, na verdade, eu tive outro sonho depois desse, e foi com a Saphira, ou quase.
“Nós estávamos no cemitério, todo mundo chorando, não sabia o porquê, até que eu cheguei perto da pessoa morta, e o que eu vi me assustou, era a Saphira, com uma roupa toda preta, e com a pele muito branca, ela estava linda, parecia um anjo dormindo, mas eu sabia que na verdade ela não estava dormindo, mas estava morta”.
Nessa hora eu acordei, me levantei e fui acordar todo mundo, pois eu sabia, eu sentia, que era hoje, era hoje que ela ia ser morta. Quanto todo mundo acordou, eu contei sobre o meu sonho e a certeza que eu tinha (nem era mais um pressentimento).
– Tem certeza?
– Absoluta.
Todo mundo pegou a chave, e fomos para o carro, o Derek ia voando e o Sebastian ia embaixo da terra, nós íamos parar algumas ruas antes (para eles nos contar o seu plano, já que não deu tempo para eles contar e também por causa do Derek, que não tem uma boa aterrissagem, e poderia acordar todo mundo – ainda era de madrugada).
