Assombrados (Capítulo 14)

Johann

– Oi, o que foi? 

– Podemos ver a Saphira? – Falei, acho que eu aparentava estar tão nervoso, que ele nos olhou preocupado e no final disse. 

– Claro, entrem.

Nós 5 entramos, a casa já aparentava ser linda por fora, porém era mais linda por dentro. Logo quando a gente entrou, demos de cara com a cozinha, ela era toda marrom. A mesa tinha alguns risquinhos, parecia até madeira pura, As cadeiras pareciam ser bem macias e eram branca (a única coisa que tinha uma cor diferente ali), O chão tinha a mesma textura da mesa (e era toda de piso), as gavetas e pia não tinha nada de diferente (era totalmente marrom puro), só que a parede da onde que fica a pia, tinha a textura igual a mesa e o chão. 

Ele nos conduziu a escadaria (que devo constatar, era toda de vidro), quando chegamos no segundo andar, ele bateu na porta toda rosa (achei diferente, nunca tinha visto nada assim), ouvimos a Saphira falar: “Entre”, eu achei estranho, porque a Saphira não estava em outro lugar? O porquê a Saphira estava no quarto dela? O porque a Saphira estava viva? Minha irmã devia ter pensado a mesma coisa que eu, pois ela me olhou me questionando, e eu só movimentei a boca, sem soltar um som: “Eu não sei”. 

Quando entramos no quarto dela, parecia que eu estava tendo um daqueles sonhos de Barbie, O quarto era todo rosa, sem tirar nada. Tinha duas janelas, duas camas (não me pergunte o por quê), tinha uma cômoda com um rosa mais fraquinho, acho que era vintage, um guarda-roupa todo rosa, super grande (quase ocupava o quarto inteiro). 

– Eu já vou indo, podem conversar à vontade. – O pai da Saphira disse, menos mal, nós não queríamos que ele escutasse a nossa conversa. 

– Oi pessoal, o que estão fazendo aqui?

Eu não conseguia dizer nada, como é que ela estava viva? Será que ela também tinha poderes? Só pode ser isso.

– Estávamos preocupados. – A Anna Luisa se pronunciou, já que todo mundo não conseguia falar nada. 

– Eu estou bem, mas porque estão com essas caras? 

– Você está viva? – O Gregory falou, e a Anna Luisa deu uma cotovelada nele, como uma pessoa é tão lerda assim? 

– Do que você está falando? – Pelo visto ela não sabe do que a gente está falando, menos mal, se a gente contar, vai pensar que somos loucos. 

– Nada, esquece, mas me conta o que você está lendo? – Johanna nos livrou de uma roubada mudando totalmente de assunto. 

– Percy Jackson. – Agora que eu vi que ela estava lendo alguma coisa, eu só tinha visto os filmes, mas tinha curiosidade de ler. 

– É bom? – Eu sai do meu momento de pânico, perguntando para ela.

– É sim, ele tem aventura atrás de aventura, ação atrás de ação, é realmente muito bom. – Eu amava ouvir falar, me sentia muito bem, e eu queria ficar 24 horas do meu dia ouvindo ela falar.

A gente escutou alguém bater na porta, e a Saphira falou um “Entre”, era a Naomi. 

– Vocês querem jantar aqui? – Essa voz não me é estranha, eu conheço essa voz de algum lugar, mas de onde será? 

– Não obrigada, já vamos indo, só viemos para ver se a Saphira está bem. – Eu falei. 

– Sério? Porque não ficam mais um pouco? – A Naomi perguntou, não sei porque, mas eu ainda fiquei cismado na voz dela, a minha vontade era de pegar a Saphira, e levar para longe, não deixar ninguém machucar ela, só que eu não tinha motivos para fazer isso. 

– Não, obrigado. – Acho que a Johanna pensou a mesma coisa que eu, pois só falou isso, me olhou com um olhar decepcionado.

Demos tchau para a Saphira, Naomi e Aleksandro, e depois saímos. 

Fomos para a nossa casa, e no carro começamos a conversar.

– O porque ela ainda está viva? – Anna Luisa perguntou.

– É cara, você não disse que ela morreu? – Gregory complementou.

– Eu não sei, nem eu mesmo entendo, porque será que ela ainda está viva? 

– Vai ver os seus poderes são para prever o futuro, e não o presente ou o passado. – Minha irmã palpitou. 

– Claro que não. – Ela me olhou questionadora. – Com certeza não, agora dá para parar de me olhar assim? Eu estou dirigindo o carro. 

Ela parou de me olhar de um jeito assustador, e no caminho de volta a gente ficou em silêncio, quando chegamos na casa, saímos do carro, e só deu tempo de desviar, pois um avião, pássaro grande ou até mesmo um anjo bateu com tudo na nossa frente, e o que saiu daquela poeira toda me deixou sem ar, era um humano, de carne e osso, mas a minha pergunta é: Como ele consegue voar? E depois disso, apareceu um homem debaixo da terra (sem brincadeira, ele literalmente saiu debaixo da terra).

– Você tem uma aterrissagem muito feia Derek, tem que trabalhar nisso.

– Eu sei, eu sei, eu estou tentando, okay? 

– Não sei como ainda está vivo.

– Eu sou um anjo da luz, Okay? Eu nunca morro. 

– Morre sim, mas de uma maneira diferente dos humanos.

Do que eles estão falando? Anjos? Humanos? O que eles são? Estou ficando cada vez mais confuso. 

– Quem são vocês? – Falei saindo do transe, que pelo visto todos os meus amigos (até a minha irmã) estavam num transe total. 

– Eu sou o Derek, o anjo da luz. – O tal de Derek se apresentou. 

– Eu sou o Sebastian, o anjo da terra, – o tal de Sebastian se apresentou – e você, é o anjo da morte. 

O que eles acabaram de dizer?

– Que brincadeira de mau gosto é essa?

– Não tem nenhuma brincadeira, podemos entrar para conversar melhor? Eu sinto lhe informar, mas as ruas e até mesmo a parede tem ouvidos. 

– Podem. 

– Johanna. – Eu gritei com ela.

O que ela estava fazendo? Eles eram estranhos que falavam coisas malucas, e ela quer deixar eles entrarem? 

– Se acalme Johann, é só uma conversa, né? – Os dois só assentiram. 

Eu desisti de convencer ela, e fui na frente, entramos na minha casa, sentamos no sofá, e eu já fui logo falando. 

– Falem logo o que vieram fazer aqui.

– Não seja grosso Johann, desculpa ele. – Ela falou agora direcionando a eles, só me faltava essa, minha irmã pelo visto amou eles. 

– O Johann é um anjo da morte. – Eu me segurei para não falar uma coisa nada educada. – Deixa nós começarmos desde o começo. 

– “Existe três tipos de anjos que protegem a terra, que são eles: O anjo da morte, da luz e da terra, e cada um tem o seu próprio território, como por exemplo, eu sou um anjo da luz, o meu território é o céu e eu cuido de cada ser vivo que nasce, ou seja, bebês, o Sebastian é um anjo da terra, ou seja, o território dele é a terra e ele protege cada pessoa que vive, ou seja, crianças, adolescentes, adultos e idosos, agora o território do Johann é o submundo e ele protege cada pessoa que morre, ou seja, as almas delas ou as pessoas que estão prestes a morrer. Existe anjos desde o nascimento da terra, mais quando um anjo morre, antes de isso acontecer eles escolhem os seus sucessores, sem eles saberem, e quando morre, todo os seus poderes, territórios e as pessoas ou almas que eles salvam são dados para os novos anjos, e você Johann foi escolhido pelo antigo anjo da morte para ser o seu sucessor”.

– Quê? Isso é loucura.

– Você tem sonhos prevendo quando uma pessoa morre, – Sebastian começou a dizer – mas acho que você não sabe, porém você está prevendo o futuro, você sente a dor dessa pessoa, como se fosse você que está prestes a morrer, você não consegue ver espírito, mas consegue sentir o que eles estão sentindo, desde quando choram, até quando estão felizes, quer que eu pare ou continue?

Eu me levantei e comecei a falar:

– Como você sabe disso? É vidente por acaso?

– Não, não sou vidente, eu sei disso, pois eu sou um anjo da terra, esqueceu? 

– Mano, acho que eles estão falando a verdade. 

– Até você? 

– Sim, acredite neles, por mim? 

– Okay, vocês me convenceram, mas o que estão fazendo aqui? 

– O demonista. – Nós olhamos sem saber do que o Derek estava falando. – Desculpa, eu vou explicar. 

“- O demonista é uma pessoa que trabalhava para o anjo da morte por 1.900 anos, quase 2.000 anos, ficou lá sozinho todo esse tempo, sem a ajuda de nenhum anjo, só que ele ficou tanto tempo sozinho, que começou a odiar os anjos, principalmente o anjo da morte, e conseguiu fugir de lá, e hoje está no mundo dos humanos, só que ele acabou sendo um dos seres mais fortes do mundo, e conseguiu matar todos os antigos anjos, só que separados, e nós três temos que unir forças, para lutar contra ele, e o prender no submundo”. 

– Mas como fomos encontrar ele?

– A gente ainda não sabe, – eu revirei os olhos, eles vieram até mim, só que sem ter realmente um plano? Que gênios – porém temos uma ideia do que ele realmente quer.

– Do que está falando? – Eu fiquei confuso, do que eles estavam falando? 

– “desde o nascimento da terra, deve uma joia super rara, que era um colar, e conta a lenda que esse colar pode acabar controlando todos os anjos, e até mesmo as pessoas vivas e mortas”.

– E a onde esse colar está? 

– Eu ouvi falar que estavam com a família Lolla Mitchell, que são os guardiões dessa jóia por décadas. 

– A Saphira? – Falei não acreditando, então o meu sonho pode ser real?

– Você conhece essa família? 

– Conheço.

– Ele está namorando a Saphira. – A Johanna falou, e eu quase me engasguei com a saliva, o que ela está falando?

– Sério? – Os dois me olharam animados. 

– Não, ela que está pirando. 

– Mas confessa que você está caidinho nela.

– Até você, Thamires? 

Eu fiquei envergonhado, senti as minhas bochechas queimarem de tanta vergonha, e não falei nada, eu não sei mentir. 

– Olha gente, ele ficou envergonhado. – O Derek se intrometeu e mexeu na minha bochecha, eu bati na sua mão e falei. 

– Sai daqui.

Eles começaram a rir de mim, acho que eles estão vendo um nariz de palhaço em mim, só pode. 

– Vamos jantar? – A Johanna falou me salvando, valeu irmã. – Vamos, estamos morrendo de fome. 

Nós fomos para a cozinha, e minha irmã começou a cozinhar, não sei o que era, porém o cheiro estava muito bom. Eles começaram a jogar conversa fora, enquanto eu estava pensando:

Eu não sei o porque, mas eu acreditava neles, eu sabia que eles estavam falando a verdade, não tinha como eles saberem de nada disso, mas eu não conseguia aceitar, eu não conseguia pensar direito, só queria numa hora dessas deitar e dormir para vê se a minha cabeça descansa. Eu também estava preocupado com a Saphira, o que ela tinha a ver com o colar? O que ela tinha a ver com nós? Será que ela tem algum poder que eu não saiba? Acho que não, ela é tão meiga, tinha uma aparência tão linda, que não conseguia pensar nela fazendo algum tipo de poder, porém o que sua família sabe sobre a gente? O que a Saphira sabe sobre a gente? Qual é o seu envolvimento nisso tudo?

A minha cabeça não parava, eu estava pensando, pensando, e não chegava a lugar nenhum.

– Johann. – Todo mundo estava olhando para mim, o que será que aconteceu?

– O que foi?

– Você está no mundo da lua? Eu perguntei, o que você quer comer?

– Deixa que eu me sirvo, não sou aleijado. 

– Okay seu grosso. – Falei fazendo um biquinho, fui lá beijei a bochecha da Johanna, e ela desmanchou o bico e deixou um sorriso escapar, sussurrei no ouvido dela: “Te amo, obrigado por tudo”, e depois fui me servir, como se nada tivesse acontecido.

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