
Johann
– Então o que aconteceu? – Falou a Johanna quando a gente já estava dentro do carro.
– Ele queria saber se tinha acontecido alguma coisa em casa.
– Porque?
– Porque as minhas notas caíram muito, e eu estou frequentemente dormindo nas aulas.
– Você ainda não quer contar para ninguém? – Falou já sabendo o porque tudo isso está acontecendo.
– Para que? Todo mundo vai me achar um maluco e me internar no hospício.
– Você dormiu na sala?
– Sim, e eu sonhei com uma coisa super diferente, desta vez não foi com alguém morrendo, mas foi sobre um suposto assassinado.
– Que? Conta mais isso, Johann. – Falou ficando ansiosa e estressada, tudo isso junto.
Eu contei para ela, sem tirar e nem pôr e ela ficou besta.
– Tem certeza que não conseguiu ver o rosto?
– Claro que tenho, e mesmo se eu tivesse visto eu não poderia falar nada.
– Porque não?
– Como que eu ia explicar isso para a polícia?
– É só dar uma desculpa.
– E você acha que eles não descobriram mais cedo ou mais tarde?
– Desta vez você tem razão, mas a gente tem que ficar de olho na Saphira.
– Mas como vamos saber que é a mesma Saphira que a gente conhece? Existem outras pessoas que têm um nome igual.
– Mas seria muita coincidência, não? No momento que você conheceu ela, já tem esse sonho.
– Não sei, para mim é tudo confuso, eu nem sei porque eu tenho essa maldição.
Ela parou o carro no sinal vermelho e pegou a minha mão.
– Johann, isso não é uma maldição, talvez você tenha isso por algum propósito de deus, já pensou nisso?
– Você sabe que eu sou ateu.
Ela largou as minhas mãos e voltou a dirigir.
– Sei muito bem disso, tanto quanto eu sei que isso não é uma maldição.
– Se você está dizendo. – Falei para encerrar o assunto, depois disso o caminho até em casa foi de total silêncio, nem o som a gente ligou, quando chegamos eu sai do carro e fui me arrumar, eu tinha que ir no parque, eu sempre gostei de ir no parque depois da escola, para ler e relaxar, gosto de ficar refletindo sobre a minha vida e também gosto de ver as crianças correndo e brincando, acho a coisa mais linda do mundo.
Eu coloquei uma camisa branca e por cima uma jaqueta xadrez, com as cores Vermelha e Preta, também coloquei uma calça jeans clarinho e um tênis totalmente branco, depois de ter me olhado no espelho e ter gostado do resultado por incrível que pareça, eu desci as escadas e a minha irmã colocou o seu pijama de mickey (ela só tem idade e tamanho, porque a mentalidade parece a de uma criança), tomando sorvete e vendo Friends.
Parece que alguém levou um pé na bunda.
– Vai sair? – Falou virando o rosto para mim, foi nessa hora que eu vi que ela tinha a maquiagem toda borrada e parecia ter chorado um monte.
– Vou, mas se quiser posso ficar contigo.
– Faria isso mesmo? – Falou com os olhinhos brilhando, eu falei, ela parece uma criança.
Eu só concordei com a cabeça.
Sentei do seu lado e fiz com que sua cabeça se encostasse no meu ombro.
– O que aconteceu?
– Aquele canalha que eu saí ontem.
– O que ele fez? – Falei já ficando com raiva, não gosto de ver minha irmã chorando.
– Contou para todo mundo que eu fiquei com ele.
– Que? Me diz que ele não fez isso, por favor Johanna. – Falei respirando fundo para poder me acalmar, que cara mais babaca.
– Pior que fez. – Falou recomeçando a chorar.
– Calma mana. – Falei a ninando, eu já estava começando a ficar nervoso, eu nunca a vi assim, a reputação é tudo para ela, e um idiota detonou isso.
– Você quer que eu me vingue? – Falei já tendo várias ideias na minha cabeça.
– Não, obrigada, só fica assim comigo e diz que eu sou a pessoa mais linda do mundo.
– Você não é linda, – ela recomeçou a chorar – você é a pessoa mais perfeita que eu já conheci, você é a pessoa mais carinhosa, a pessoa mais gentil e bondosa que eu já tive o prazer de conhecer, e homem nenhum merece as suas lágrimas, me ouviu?
– Obrigada mano, você é o melhor irmão do mundo. – Falou me abraçando forte que até me fez ter falta de ar, quando ela me soltou, parecia que eu tinha voltado a vida sem ter morrido.
– Agora seca essas lágrimas e vamos colocar numa comédia.
– Ah não.
– Ah sim, você precisa rir um monte. – Abri a Netflix e fiquei passando os filmes até que achei um interessante. – Que tal Frozen?
Eu sei que é um filme de criança, mas eu e a minha irmã amamos esses tipos de filmes.
– Mas não é de comédia.
– Mas é engraçado.
– Já vimos um milhão de vezes
– Então vai ser esse. – Falei já começando a ver o filme.
Eu já vi esse filme um montão de vezes, mas nunca me canso de ver, para mim tudo é sempre novo, e o meu personagem preferido é o Olaf, sem sombras de dúvidas, mas por algum motivo eu acabei dormindo e tive outro sonho estranho.
” – Quando que a gente vai matar a Sophia? – A mulher falou, pela voz ainda parecia está dormindo, ou em algum tipo de hipnose.
– Eu não sei, ainda estou pensando, mas talvez seja daqui uma semana. – O homem falou.
– Como vamos fazer isso? – Ainda não entendo o porquê dessa mulher parecer que está dormindo.
– Acho que tenho uma ideia.”
Eu acordei num pulo e a minha irmã se assustou.
– Que foi criatura?
– Vai ser daqui uma semana. – Falei assustado, que sonhos são esses e o que eles querem me dizer?
– Uma semana, o que?
– Que eles vão matar a saphira, e o pior… – Dei uma pausa para fazer um suspense.
– Fala logo criatura.
– Eles já tem um plano. – Ela me olhou assustada.
– E qual é o plano?
– Foi nessa parte que o meu sonho terminou.
Depois disso nós dois não falamos mais nada, nem deixamos o filme terminar e já fomos dormir, é a melhor coisa que a gente faz.
