Assombrados (Capítulo 6)

Saphira

A Gente ficou sentado lá por 2:00, essa semana não está sendo a mais legal da minha vida, ontem perdi a pessoa mais importante da minha vida, agora eu ganho uma detenção. 

Os professores passaram vários trabalhos já no primeiro dia, parece que essa escola não é brincadeira não. Fui para o pátio esperar o meu pai que sempre vem me buscar, eu sentei no banco e fiquei lendo: A Garota no Trem, até que eu senti um movimento do meu lado, quando eu olhei, vi uma cópia do Johann, meu deus, o mundo está brincando comigo hoje. Ela tinha os cabelos loiros, parecia até ouro, liso em cima e totalmente enrolado em baixo (será que é natural? porque se não for, deve dá um trabalho para fazer). Ela tinha os olhos castanhos claros que parecem mel (depois que eu olhei para os olhos do Johann, não sei porque, mas virou a minha cor preferida), e eles são bem puxados, parece até uma japonesa e tinha os lábios pequenos, a única diferença (além dos cabelos) é que ela não se vestia toda de preto, parecia aquele tipo de pessoa que usava tudo, menos preto. 

– Oi, desculpe a pergunta, mas você é irmã do Johann? – Falei na cara dura, não tenho medo de falar o que eu penso, na verdade, eu me acho muito verdadeira. 

– Sou. – Falou me olhando com um sorriso, e caraca, até o sorriso é lindo, tomara que o do Johann também seja assim. 

– Irmã mais velha ou mais nova? 

– Na verdade irmã gêmea. 

eu a olhei espantada, como assim? Eu nunca vi os dois caminhando juntos por aí, mas bem que eu já desconfiava, os dois são a cópia um do outro. 

– Você está esperando alguém? 

– O meu irmão na verdade, mas ele está atrasado… de novo. – Falou a última parte sussurrando como se não quisesse que eu escutasse, nessa hora ela ficou toda emburrada, parecia um gatinho empurrando, fiquei com vontade de apertar, mas vai que ela não aceite muito bem.

– Oi. – O Johann apareceu, parecia que estava correndo uma maratona. 

– Oi nada. – Johanna levantou e começou a bater nele com uma bolsa e ele tentando fugir dela, eu comecei a rir, esses dois são hilários. – Pode me explicar o porque se atrasou de novo? – Ela parou de bater nele. 

– Sua maluca. – Ela ameaçou bater nele de novo. – Tá, tá bom, calma. – Falou colocando o braço esticado na frente dela, acho que era para fazer uma barreira entre ele e ela. – O diretor me chamou na sala dele. 

– O que aconteceu? – Ela agora falou com uma voz preocupada, o modo que essa mulher muda da água para o vinho é impressionante. 

Ele me olhou e depois disse para a Johanna: 

– Eu te conto no carro. 

Doeu quando ele disse isso, mas ele não tem confiança em mim, então não posso julgar essa sua atitude, eu falaria a mesma coisa. Eles foram para a garagem, onde os alunos e professores podem colocar os seus carros, motos e até bicicleta. 

Esperei mais 5 minutos até que eu vi o carro dele de longe, o carro é um EIKE Batista, eu sei, carro de consumo de qualquer um e também é um carro só para ricos, mais o que eu posso dizer, bem, eu sou rica, e por causa disso, eu digo que o dinheiro não pode comprar tudo. 

Ele parou na minha frente, e nessa hora todas as pessoas do colégio olharam para nós, para quem não sabe, eu estudo no colégio da prefeitura (sempre estudei nesse tipo de colégio, mas como eu me mudei, eu tive que mudar de colégio), eu sei, eu tinha condições de pagar um colégio particular, mais os meus pais queriam me dar uma educação adequada e não queria que eu fosse esnobe, e eles não poderiam ter escolhido melhor, e ainda por cima é o melhor colégio da cidade, isso que nem é particular. 

– Oi.

– Oi daddy. 

Eu chamo o meu pai de Daddy e a minha mãe de Mom, acho que isso é porque eu estudei até os 10 anos nos Estados Unidos, e eu nunca perdi o costume de chamar eles assim. Eu entrei no carro, e ele começou a andar (ou melhor a correr, porque esse carro não anda, ele corre).

– Como foi na escola?

– Normal. 

– Como assim? Está me escondendo alguma coisa. – O meu pai sempre sabe das coisas, é impossível esconder alguma coisa dele. 

– Eu conheci um menino. 

– Hum, gostei. – O meu pai nunca foi do tipo ciumento, ele me incentiva bastante, e até fala que quer me ver casada o quanto antes, como eu disse, ele não é ciumento. – Me conta mais. 

– Não sei muito sobre ele, mas ele é lindo. 

– Wow, minha filha está apaixonada. – Falou como se estivesse falando com um bebê. 

– O que? Pai, não, isso não vai acontecer. 

– Vai acontecer, eu sei. 

– Como o senhor tem certeza disso? – Às vezes eu ficava assustada com o meu pai, ele tem poderes, só pode. 

– Intuição de pai. 

– Jura pai? Papinho para cima de mim agora? – Eu falei e logo depois ele piscou o olho direito para mim. 

– Coloca uma música aí. 

Ele tem 42 anos, mas não parece, além da aparência (ele parece ter 30 anos), ele também ama balada, dançar e músicas atuais, ele sempre diz para a gente que nunca gostou das músicas da época dele. 

Eu coloquei a música Arrependida da Aretuza Love, com participação da Solange Almeida, eu não gosto muito dessa música, mais fazer o que, o meu pai ama esse tipo de música (não posso fazer nada, quem manda no carro é ele e não eu). Ficamos escutando músicas até chegar em casa, sai do carro e fui para a cozinha comer uma maçã, eu sempre como uma fruta quando eu chego da escola, de preferência uma maçã. A minha Mom não estava em casa, acho que estava trabalhando ou se não, fazendo compras (ela ama fazer isso).

Comprar é com ela mesmo. 

Fui para o meu quarto, os professores já no primeiro dia nos passaram um monte de trabalho, e eu fui obrigada a fazer, como eu disse, essa escola é a melhor da cidade, ou seja, é uma das mais difíceis.

É não é mole não.

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