Assombrados (Capítulo 5)

Johann

Eu estava prestando atenção na aula, quando me deu uma canseira enorme, eu fiquei com tanto sonho de uma hora para a outra, tentei me manter acordado, mas no final o sono venceu, e tive um sonho que mudou a minha vida.

“- Agora nós só precisamos matar a Saphira e o nosso plano estará quase concluído. – Falou um homem, só reconheci que era um homem pela voz (mas eu não sabia quem era), porque eu não conseguia enxergar nada, estava tudo nublado. 

– Você não acha que está sendo tudo muito rápido? As pessoas e principalmente os policiais vão desconfiar. – Falou agora parecendo ser uma mulher, e pela voz (baixa, lenta e arrastada), parecia que estava dormindo, desconfio que está em algum tipo de transe (o que eu não entendi muito). 

– Que desconfie, quando isso acontecer, nós já estaremos muito longe daqui e com o colar nas mãos, pode apostar. – Falou o homem gargalhando em seguida”. 

Eu ouvi um barulho e acordei num pulo. 

– Dormiu bem, senhor Victor thor? – A classe de aula caiu na gargalhada. – Desculpa professor. 

– Por causa disso vai ficar na detenção depois das aulas. 

E saiu sem esperar resposta, e nessa hora o sinal tocou indicando que ia começar outra aula. Todo mundo saiu correndo para não chegar atrasado, e depois de eu arrumar todo o meu material, também fui atrás. 

Esse sonho foi estranho, eu nunca tive um sonho desses, sempre foi sonhando com alguém morrendo, mas esse sonho não teve morte, o que para mim já é estranho. Eu preciso contar para alguém sobre esse sonho super esquisito, a minha única opção é a Johanna, mas eu sei que ela já está na sala de aula, o jeito que ela é uma nerd. O único jeito é contar depois da minha detenção (porque que eu tive que pegar uma detenção justo agora?).

Entrei na sala, e como sempre, eu estava atrasado. 

– Tem alguma explicação, senhor Victor Thor? – Porque sempre me chamam pelo meu sobrenome? Eu odeio ele. 

– Desculpa, eu me perdi. – Pensei na primeira desculpa qualquer, que eu sei que não vai colar. 

– Sei. – Falou parecendo não acreditar em nenhuma palavra do que eu falei. – Senta antes que eu te de uma detenção. 

Ele não precisava falar duas vezes, eu sentei na única cadeira vaga, e atrás de mim estava nada mais nada menos do que a Saphira, acho que hoje o universo está de brincadeira comigo, ela me deu um sorriso, e eu tentei retribuir, só não tenho certeza se funcionou. 

– Você está bem? – Falou depois de 5 minutos que a aula começou. 

– Estou, porque? – Falei me virando, eu estava mentindo, não estava nada bem, o sonho que eu tive ainda é um enigma. 

– Você não parece bem. 

Fiquei surpreso, as pessoas sempre diziam que era difícil me ler, pois eu não tinha nenhuma expressão no rosto. 

– Eu estou, acredite. – Falei tentando convencer ela e a mim também.

– Vou fingir que acredito. – Falou encerrando a nossa conversa. 

Depois dessa aula, tivemos mais 3 (que graças a deus eu não tive mais nenhuma com a Saphira), no fim, eu fui para a detenção, chegando lá eu fiquei surpreso por ver a Saphira, hoje não estava muito cheio, mas o professor me obrigou a sentar na frente, o que quer dizer, do lado da Saphira. 

A nossa detenção era só ficar 2:00 sentado sem fazer nada (pelo menos nesse caso), eles qualificam a detenção por: Iniciante (os que não são ruins, e que são mais fáceis as detenções, esse é o meu caso), Intermediário (mais ou menos grave) e Difícil (totalmente grave, pode até chegar a levar a expulsão).

Tinha se passado 15 minutos que eu estava ali, e já parecia horas, o mais torturante é que tinha um relógio ali, e parecia que a hora nunca andava. 

– Oi de novo. – A Saphira falou. 

– Oi.

Nas detenções fáceis a gente pode conversar, menos fazer bagunças, ou até mesmo gritar. 

Eu acho essa menina meio maluca, ontem ela não queria minha companhia e até falou algo que eu não gosto (o meu estilo), e na escola parece que quer manter um diálogo, como eu falei, ela é estranha. 

– Porque está na detenção? – Perguntei com curiosidade. 

– Eu cheguei atrasado na última aula, pois eu tinha me perdido, só que a professora não queria saber de desculpas e me mandou para a detenção. 

– Uau, que pessoa mais idiota. 

– Pois é, já no meu primeiro dia eu ganho uma detenção, essa semana não está sendo das melhores. 

– Entendo. – Dei uma pausa até falar de novo. – Porque está falando comigo?

– Como? – Falou parecendo não compreender as minhas palavras. 

– Ontem a gente se encontrou e você foi esnobe, e hoje parece outra pessoa, desculpa, mas eu não gosto muito de pessoa que não sabe o que quer. – Falei na cara, eu sei que não deveria, não sei como a perda de algum ente querido pode afetar outra pessoa, mas o que eu falei foi sincero. 

– É que ontem eu perdi alguém muito importante para mim. – Falou ficando sem graça, sei disso, pois sou bom em ler as pessoas. 

– Entendo, só que isso não deveria fazer você agir daquela forma, às vezes as pessoas podem está sofrendo mais do que você, não estou falando de mim, mas estou falando em geral. 

– Eu sei, só que a dor é insuportável, o meu irmão era a pessoa que eu mais amo nessa vida, creio que eu só estava nessa vida por causa dele. – Nessa hora uma lágrima desceu no seu rosto, e eu me segurei para não limpar. 

– Não fala isso, tenho certeza que o seu irmão não ia querer escutar isso. 

– Mas você nem conhecia ele. – Falou com um tom de voz diferente, parecia que estava começando a ficar com raiva, isso não é bom, não é nada bom. 

– Eu não conhecia. – Falei concordando com ela. – Mas eu sei que se ele te amava, não ia querer que você só vivesse a vida por ele, ia querer que você fosse feliz, com ou sem ele. 

– Como você tem certeza disso? – Falou confusa. 

– Porque eu tenho uma irmã gêmea, e somos tudo um para o outro, eu amo ela e tenho certeza que eu daria a minha vida por ela, sem pensar duas vezes, só que eu não quero que ela vivesse a vida por mim, isso me deixaria muito triste e me sentiria com um farto para ela. 

– Entendo, talvez você tenha razão. – Falou encerrando o assunto.

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