
Saphira
Quando eu sai do carro, vi que tinha vários repórteres. Como eu falei, somos uma família bem rica, acho que é por isso que tem tantos repórteres assim. Começou a missa, e eu queria não ter chorado, mas foi impossível, tenho certeza que o meu irmão não ia querer que as pessoas chorassem, na verdade, ele até ia querer que todo mundo fizesse uma festa e que fossem muito felizes, mas o meu irmão era muito querido por todos, isso é impossível.
Depois que a missa acabou, todas as pessoas vieram até aqui dar os seus pêsames, sei que algumas são mentira, talvez até ficaram feliz por isso, sei que é um pensamento muito ruim de se ter, mas é a realidade.
Depois disso começaram a enterrar o meu irmão e nós tínhamos que falar alguma coisa, foram alguns dos amigos dele e os meus pais, e depois foi a minha vez, eu não tinha forças para mais nada, eu acho que eu morreria desidratada de tanto chorar, mas eu arranquei forças lá do fundo do baú, e comecei a falar.
– O meu irmão é a pessoa mais incrível que eu pude conhecer, talvez o meu irmão não seja a melhor pessoa, sempre em festa, muito pegador, mas o que as pessoas não sabem é que ele era um amigo para todas as horas. – Era, no passado, e isso dói tanto. – O sorriso e a sua gargalhada contagiava todo mundo, até mesmo o coração mais gelado, a gente brigava, me diz, quais irmãos não brigam? Mas a gente se amava mesmo assim, uma coisa que eu fazia com o meu irmão era quando um de nós saiamos, os dois tinham que dizer eu te amo mesmo estando brigados, podia até ser ir na vizinha… – Dei uma pausa tentando segurar o choro. – Mas mesmo assim, a gente tinha que dizer, pois se alguma coisa acontecia a nós dois, a gente saberia que o outro sempre estaria aqui, o mundo poderia nos odiar, mas nós sempre estaríamos aqui, e olha o que aconteceu. – Falei a última parte olhando para onde ele já tinha sido enterrado. – Eu agradeço por tudo que ele fez por mim e fico feliz por saber que ele sabe que eu o amo, eu te amo mano. – Falei a última parte olhando para o céu nublado, indicando que ia chover e eu chorando, não conseguindo conter o choro.
É engraçado que até o céu sabe que hoje se foi uma pessoa incrível da terra e tenho certeza que vai ser um anjo excepcional no céu, e quando eu pensei nisso, começou a chover, e eu fiquei lá no meio da chuva, enquanto todo mundo estava correndo para ir embora, porque eu sabia, que aquele era as lágrimas do meu irmão.
– Filha, você não vem? – Meu pai perguntou.
– Não, podem ir.
– Tem certeza? – Naomi, pessoa que me deu a notícia que o meu irmão estava morto… Morto, coisa que eu nunca pensei que ia acontecer.
– Tenho, podem ir.
Depois de eu ficar por tanto tempo ali no meio da chuva que eu até perdi a noção do tempo, eu fui para casa, de a pé, mesmo eu sabendo que ia pegar um resfriado, eu andei livremente nas ruas, eu não corri, não tinha pressa, e não entrei em nenhuma moradia para não me molhar, e era o que as pessoas estavam fazendo, eu não sentia nada, não tinha mais lágrimas para chorar, eu não sentia as águas no meu corpo, eu não sabia nem para a onde eu estava indo, eu só andei, andei e andei, até que eu me vi num parque, e era a coisa mais linda que eu já tinha visto, não tinha ninguém aqu…
– Oi. – Falou alguma coisa atrás de mim, eu ganhei um susto, e me virei correndo.
– Quem é você?
– Eu ia te perguntar a mesma coisa. – Falou o estranho.
Ele era lindo, tinha os olhos de coloração castanho, que pareciam mais Whisky, parecia um japonês com os olhos puxados, tão fofo, ele tinha os cabelos loiros, tinha os lábios pequenos, e o mais importante, ele só está de preto, parece até que está de luto.
– Desculpa a pergunta, mas você está de luto? – Perguntei na cara dura.
– O quê? – Ele estava com um cara assustada, parecia que os seus olhos iam saltar para fora.
– É que eu perdi uma pessoa hoje, uma pessoa muito importante para mim, sabe? E aí eu vi você todo de preto, achei estranho, não me leve a mal, não que eu sou contra aos emos e góticos, não é nada disso…
Quando eu fico nervosa, eu fico divagando e falando sem parar.
– Calma, não precisa ficar nervosa, e respondendo a sua pergunta, não, eu não estou de luto, eu só sou um gótico mesmo, adoro usar preto.
– Okay. – Falei um pouco assustada. – Então eu já vou indo.
Eu me virei, mas ele segurou a minha mão.
– Espere, você é a irmã do Tales, né?
– Como você sabe? – Falei assustada, vai que esse cara é um Stalker comedor de pessoas, eu sei, estou divagando muito hoje.
– Eu vi na televisão.
Como eu sou burra, claro que passou na televisão, como não ia passar? Os meus pais são cantores incríveis, não sei como ainda tão atenção para a gente.
– Ah claro, me desculpe, acabei esquecendo por um minuto, é muita coisa para digerir, sabe? Nem deu tempo para me despedir, e essa chuva não ajudou.
– Porque ele está chorando?
– Como você sabe?
– Confia em mim, eu apenas sei.
– Entendi, eu já vou indo.
Comecei a andar.
– Aonde você mora?
Meu deus, eu acho que esse cara é um fantasma, só pode, ele apareceu do meu lado, assim do nada.
– Não te interessa. – Eu sei, eu estava sendo rude, mas mesmo assim, nem conheço esse cara.
– Eu sou legal.
– Vestido desse jeito? Até parece. – Eu sei que eu não devia o julgar pela a sua aparência, mas eu queria que ele fosse embora.
– Já estou vendo que não quer minha companhia, me desculpa, não vou mais te incomodar.
E simplesmente foi embora, como assim? Eu pensava que ele ia insistir, mas foi embora, simplesmente isso, e eu não entendi o porquê de eu sentir um vazio no meu peito, balancei a minha cabeça e entrei em casa, e quando eu fiz isso, a chuva parou na hora, obrigada mano, por tudo.
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– Acorda Saphira. – Alguém falou gritando.
– Que susto mãe.
– Hora de ir para a escola.
– Mas mãe, não posso ficar hoje em casa?
Falei já começando a lembrar tudo que aconteceu ontem, principalmente o enterro do Tales.
– A vida não espera até você se sentir bem. – Ela pode ter soado rude, mas ela sempre sabe a coisa certa para mim dizer, e eu sei que isso é verdade.
Levantei, totalmente desanimada.
– Já fiz café da manhã, se arrumar e comer alguma coisa, eu vou te levar hoje.
– Okay.
Eu tenho 18 anos, mas não tenho nenhuma vontade de dirigir, acho que isso não é para mim.
Fui no banheiro, tomei banho, Hoje estava fresquinho, nem tão quente e nem tão frio, então aproveitei para colocar um macacão todo branco, uma jaqueta com estampas de flores rosas, uma sandália que tem salto, que vai até o tornozelo e tem uma estampa de tigre. Escovei os dentes e desci as escadas, me sentei na mesa e comecei a comer. Eu e minha mãe estávamos num completo silêncio, até que eu decidi falar alguma coisa.
– Cadê o pai? – Não me julgue, foi a primeira coisa que veio à minha mente.
– Está passando o Show.
Eu entendi o que ela quis dizer, que ele tinha que trabalhar para esquecer o que aconteceu com o Tales.
– Já terminou de comer? – Eu acenei com a cabeça. – Ótimo, então vamos.
A gente entrou no carro e ficamos o caminho de casa até a escola em um completo silêncio, eu com vontade de chorar, é claro, mas segurei.
– Chegamos.
nem notei quando chegamos na escola. Desci do carro, dei um “Tchau” para minha mãe, e fui para o meu novo destino, ou melhor, o meu novo colégio (de novo).
Como sabem os meus pais são cantores, e a gente sempre está se mudando, não que eu reclame, adoro conhecer gente nova. Ontem ia ser o primeiro dia de escola, mas aconteceu tudo aquilo. Procurei a diretoria.
– Com licença. – Falei para uma mulher que para mim era Plus Size, tinha os cabelos pretos e completamente cacheados, a coisa mais linda do mundo, e quando ela levantou a cabeça, eu vi que os olhos dela são azuis, parecem um mar totalmente limpo e calmo.
– Sim? – Falou sorrindo, e que sorriso, acho que tem vários homens correndo atrás dela, só pode.
– Eu sou aluna nova e não sei onde fica a minha sala.
– Qual o seu nome? – Falou agora se dirigindo para o computador e começando a escrever.
– Saphira Lola Mitchel.
Ela arregalou os olhos, parece que conhece os meus pais, mas não falou nada e só me pediu para a acompanhar e me guiou até a minha sala.
A moça que eu ainda não sei o nome, bateu a porta e me deixou sozinha ali, a minha vontade era correr.
– Pode entrar. – Alguma pessoa falou de dentro da sala.
Eu tomei coragem e decidi abrir a porta e soltei um tímido “oi”.
– Oi, você deve ser a aluna nova?
– Isso, sou a Saphira. – Falei entregando a ele um papel que a moça tinha me dado.
– Pode entrar, se sente com o Johann. – Falou me devolvendo o papel.
– obrigada.
O Johann levantou a mão, e não acredito, era ele, a pessoa que eu tinha encontrado no parque, e que na minha opinião era super estranha, sem querer ser mal educada, eu disse “oi”, e ele devolveu, depois disso não falamos mais nada.
