Assombrados (Capítulo 9)

Johann

– A gente nunca viu você aqui, é nova? – Thamires, amiga da Johanna falou. 

– Sou… Me mudei a pouco tempo. 

– Entendi.

Querendo ou não a Saphira é bonita, mesmo ela sendo grossa comigo às vezes, não tem como a odiar, eu não entendo o porque estão querendo matar ela, talvez seja por ela ser rica, ou por alguma inveja, não sei, mas vou tentar descobrir. 

– Preciso conversar contigo depois. – Falei sussurrando no ouvido da Johanna. 

– Coisa séria? – Falou também sussurrando.

– Bastante. – Falei encerrando o assunto. 

Eles ficaram conversando por algum tempo e eu sempre calado, gosto de ficar quieto, só o silêncio me entende. Nem sei o que eles estavam conversando, estava totalmente no “mundo da lua”, até o sinal bater indicando a próxima aula. 

– Vamos Johann? – Saphira falou me tirando dos meus próprios pensamentos. 

Não respondi, em troca eu segurei a sua mão e fomos andando até a próxima aula, que seria de história (minha aula preferida). 

– Você é sempre tão quieto? 

– Mais ou menos… Não gosto muito de falar. 

– Não tem assunto?

– Não é isso, porém parece que só ele me entende. 

– Porque acha isso? 

– Minha vida é complicada.

– Complicada como? 

– Desculpa, mas é pessoal. 

– Então é um segredo. – Falou parecendo entender o universo.

– Se você pensa assim. 

Quando a gente percebeu, já tínhamos chegado a sala de aula e o professor estava esperando os alunos (os professores entram primeiro). 

– Bom dia classe. 

– Bom dia. – Todos os alunos falaram de volta. 

Eu nem vi a hora passar, como eu já falei, é a minha aula preferida, e quase sempre eu perco a noção do tempo, de tão entretido que eu fico. A matéria que eu mais amo é mitologia, seja grega, romana ou egípcia, eu amo todos os tipos de mitologia. Quando eu vi o sinal já havia tocado, e todo mundo estava saindo. 

– Não esqueça de estudar para a prova da próxima semana. Eu me levantei, mas eu senti uma tontura e tudo ficou preto de repente.

Sonho on

Estava tudo escuro, não sabia onde estava e quem eu era, eu conseguia escutar vozes ao fundo, mas não conseguia distinguir quem eram essas pessoas. 

– Como que a gente vai matar ela? – Pela voz era uma mulher, e de novo, parecia estar em transe. 

– Confie em mim, o plano vai dar certo, lembre-se minha boneca, você só está viva, porque eu quero, se não, você já estaria morta, ninguém desconfiaria da própria família. – Falou o homem gargalhando em seguida. 

Sonho Off 

Quando eu acordei, estava numa sala toda branca, e a Saphira do meu lado, me olhando preocupada. 

– Aonde eu estou?

– Na enfermaria. 

De repente eu comecei a lembrar de tudo que aconteceu, desde o desmaio, até o sonho, que devo dizer que é estranho, preciso conversar com a Johanna o quanto antes.

– Você está bem?

– Estou, na verdade, ainda nem sei o que aconteceu. – Falei lembrando do meu sonho, não sei o que aconteceu e o porque eu sonhei com isso, eu só sei que a pessoa que matou o Thales foi alguém da família dele e da Saphira. Alguém bateu na porta da enfermaria, e a Saphira foi lá abrir.

– Oi, está melhor mano?

– Estou meio confuso, porém eu estou bem. 

– Isso é ótimo. – Johanna deu uma pausa e depois falou para a Saphira. – Você pode ir, deve estar cansada, eu cuido dele. 

– Tem certeza?

– Claro, vai lá. 

Depois de a Saphira ir embora a minha irmã falou. 

– Você está estranho. 

– Estranho como? 

– Sei lá, só estranho, me conta o que aconteceu. 

– Depois eu te conto. – Falei lembrando que as paredes têm ouvidos, e se as pessoas escutarem, vão pensar que eu estou louco. 

– Sonhou? – Falou adivinhando o que aconteceu. 

– Sim, depois eu te conto. 

– Okay. – Falou encerrando o assunto. – Mudando de assunto, você sabia que a Anna Luísa e o Gregory estão saindo? 

– Já não era sem tempo.

– Sim, os dois formam um casal tão fofo, igual você e a Saphira.

– Nem vem com essa. – Falei com um tom indignado. 

– Ela não saiu do seu lado em nenhum momento desde que você desmaiou.

– E daí?

– E daí que ela ficou 2 horas ao seu lado. – Falou com um tom exasperado. 

– Espera aí, eu fiquei 2 horas desacordado?

– Sim. 

– E o que aconteceu nesse meio tempo? 

– Nada demais, só que eu fui chamada para sair. – Falou com um sorriso de orelha a orelha. 

– De novo? – Não acredito que ela é assim tão rápida, já perdi as contas de quantas vezes ela saiu para um encontro com vários garotos diferente (nisso somos totalmente diferente). 

– Sim, ele é lindo. – Falou com um ar de apaixonada. 

– Você sempre diz isso, e no final só se ferra. 

– Para de ter inveja da minha pessoa. – Falou brincando. 

– Eu? Inveja? Não sei aonde. 

Nós dois começamos a rir do nada, sempre quando estamos juntos é assim, por isso o nosso quarto não é junto, pois não íamos conseguir dormir a noite inteira. 

– Vamos para casa? – Em resposta eu acenei com a cabeça. – E a propósito, a gente vai levar a Saphira. 

– Porque?

– O pai dela está ocupado trabalhando em um novo projeto, e ela não tem mais com quem ir, e eu acabei me oferecendo, tudo bem? 

– Okay.

– Não faz essa cara de quem não gostou, tenho certeza que você amou a ideia. – Pior que ela tinha razão, eu amei essa notícia, talvez eu goste e muito da Saphira, mas ainda é cedo para eu saber disso, já que a gente se conhece não faz nenhuma semana. 

– Pense no que quiser. – Falei me fazendo de difícil, sei que ela é minha melhor amiga e eu conto tudo para ela, mas eu decidi guardar isso para mim. – Vamos? – Ela acenou com a cabeça. 

Saímos da enfermaria, e eu nunca fiquei tão feliz em ver cores, não gosto muito da cor branca (acho que por isso que eu amo tanto preto, pois é 100% diferente da cor branca). 

Chegamos no nosso carro e a Saphira já estava nos esperando.

– Você está melhor? – Falou direcionado a mim.

– Sim, não precisa se preocupar. 

– Impossível. 

Eu não respondi ela, só abri a porta de trás e entrei, Saphira foi no banco do passageiro e a minha irmã foi dirigindo. Minha irmã ligou o rádio e colocou na música Menina Má, da Anitta.

– Sério isso? 

– Sim, e se reclamar eu vou repetir umas mil vezes. 

– Sua chata. – Em resposta ela me mostrou a língua. 

– O que tem essa música? – Saphira perguntou não entendo nada.

– É porque essa música me representa, e o Johann não gosta muito dela. 

– Entendi, mas até que é legal. – Em resposta a minha irmã começou a cantar essa música e a Saphira foi na onda dela, só me faltava essa, eu não gosto dessa música e muito menos pessoas que cantam ela.

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