O Plano Perfeito (Capítulo 1)

Em um lugar de grandes montanhas, de flores silvestres existia há muito tempo uma pequena vila de fazendeiros. Logo no começo da colina de terras vermelhas era possível ver o telhado da casa de cada um deles.

A entrada para tal morada era guardada por um grande portal de madeira, com duas árvores de cerejeiras. O caminho após a entrada dos portões era acompanhado por essas belas árvores, foram a elas que deram o nome a aquela vila, The Spring Sun.

Graças ao sol que nascia ao leste as belas flores ganhavam cada vez mais vida, fazendo parecer que a primavera era eterna. Ali naquele pequeno lugar vivia uma família, e um jovem adotado e virtuoso.

– Bom dia, tia Kushina. – Disse ao abrir a porta de sua casa.

– Sasuke! – Exclamou ao se assustar com o moreno.

A ruiva que antes cuidava das plantas distraída, se voltou ao jovem moreno alto abrindo um sorriso para o amado sobrinho. O jovem que ali vivia desde a morte dos pais, sempre foi educado e carinhoso com a ruiva, afinal tinha os Uzumaki’s como a sua família.

– Já fez as suas orações hoje? – Indagou enquanto acariciava a pétala de uma flor.

– Estou indo agora mesmo. – Sorriu. – Mas e o Naruto, onde ele está? – questionou ao estranhar não ouvir resmungos e cantorias vinda do melhor amigo.

Sasuke Uchiha chegou ali aos setes anos, a família Uchiha que vivia ao sul foi incendiada. A grande casa que guardava a fazenda se acendeu em chamas, levando os patriarcas e o primogênito da família, deixando apenas o caçula. A criança que ali chegou desolada, passou por tempestade até se recuperar e encontrar uma nova razão para continuar.

E hoje vive ao lado dos Uzumaki’s, cuidando das ovelhas da fazenda.

– Sem chance! – Exclamava o jovem sujo de palha e possivelmente estrume de cavalo. – Aquele cavalo idiota é tão amargo quanto ao dono! – Bateu nas próprias roupas para que a sujeira viesse a sair. – Oh, Bom dia Sasuke. – Sorriu de orelha à orelha.

– Ele deveria ter te mordido. – Rosnou ao se dirigir para a entrada da capela.

A pequena capela de portas brancas e paredes da um marrom escuros, possuía um pequeno altar e a frente deles havia bancos em fileiras.

O jovem moreno caminhou até estar de frente para o altar e ali mesmo ajoelhou-se demonstrando todo o seu respeito.

– Senhor altíssimo, sou grato pelos dias de chuva que trouxe renovo as árvores. Sou grato pelos animais que comem e frutificam bem e com abundância. – Ainda de olhos fechados continuou. – Sou feliz por ter sido transformado e amado pelo senhor, obrigado por cuidar dos meus tios e Naruto. – Suspirou e ergue-se, quase preparado para o amém.

Mas ao olhar para a árvores que era responsável pelas pétalas róseas sorriu e simplesmente fez um pedido.

– Eu estou construindo uma casa, tudo o que falta são os móveis mas o senhor bem sabe que sou rápido. – Uniu as mãos e voltou seus olhos para o telhado. – Há catorze anos cheguei até aqui, sem meus pais e meu irmão. Mas o senhor me deu um pasto para cuidar e também uma família amorosa. – Sorriu. – Estive pensando e, a vida é boa de mais para se viver sozinho. As vistas são belas de mais para se apreciar sozinho. Com isso em mente, talvez o senhor pudesse me conceder a honra de encontrar a minha amada esposa. – Sorriu com os olhos brilhantes.

Como todo homem, Sasuke queria encontrar aquela onde passaria os dias juntos, onde viveria e cuidaria do sobrenome de sua família.

– Veja bem, não tenho em mente características ou beleza específicas. – Ergueu os braços. – Mas se houver um sinal, eu peço para que ela seja diferente, e que além de me agradar ela possa agrada primeiramente o senhor. – Levou a destra esquerda aos lábios. – Os olhos, os olhos dela eles me dirão que é ela. – Disse firme. – Enfim, o senhor sabe do que eu preciso e talvez essa história de olhos seja por conta da história dos meus pais. – Suspirou nervosamente.

Sim ele estava nervoso, afinal aquela era primeira vez que dizia em alto e bom som que desejava se casar.

– Sasuke, você já terminou? – Naurto questionou do outro lado da porta.

– Sim! – Exasperou.

Os dois saíram em direção à cidade, lá vendia as lãs das ovelhas e também legumes. A carroça partiu com a dupla de amigos conversando animadamente sobre um assunto aleatório. Bom, pelo menos Naruro tagarelarava.

– Você sabia que Hinata Hyuuga já tem idade o suficiente para casar? – Indagou sem enrolação, conseguindo o olhar do moreno. – Digo, você já tem vinte e um ano logo irá ter gorduras e pele sobrando. Case-se antes que essa atrocidade aconteça! – Bateu nas costas do outro.

– O que raios, Hinata Hyuga tem haver com isso? – Massageou o local onde foi tapeado.

– Ela é uma boa moça, o cabelos são de um negro tão belo. E aparenta ter uma boa personalidade. – Suspirou. – Ela é dócil e amável, uma boa cozinheira e dona dos olhos mais brilhantes de todos.

Os olhos negros de Sasuke recaíram sobre o loiro que tagarelava sobre as infinitas qualidades da jovem morena, quanto mais Naruto falava mais os olhos azuis brilhavam. O Uchiha por sua vez sorriu de canto, apenas balançava a cabeça e se divertia com a lerdeza do melhor amigo.

– Do quê você tanto ri? – No final o loiro questionou.

– De você. – Foi sincero, arrancando certa indignação do outro.

– E o que foi que eu fiz para te causar tanto riso? – Rosnou chateado.

– Você claramente nutri sentimentos pela Hinata Hyuga, mas no entanto insiste em falar dela para mim. – Assobiou. – Estou pensando se você é esperto por saber que sou um ótimo partido, ou se é tonto para me falar da garota que você com certeza gosta. – Sorriu da cara do outro.

Ao longo do caminho o rapaz de olhos azuis se calou, afirmava que aquele ao seu lado era o seu pior inimigo. Como podia chamá-lo de tonto e ainda se gabar por se um ótimo partido? Somente sendo Sasuke Uchiha mesmo.

– Por quê não pede ela em casamento? – Disse o Uchiha.

– Não sou bom o bastante. – Murmurou ao ajeitar-se na carroça. – Sou apenas o filho de um fazendeiro, ela é filha de alguém com um grande título. – Gargalhou, amargamente.

Aquelas frases doíam em ambos os dois, sabiam que por conta de certos preconceitos muitas pessoas limitavam a eles até onde ou o que podiam conquistar. E apesar de Naruto ser um jovem saudável de boa família, ter grandes feitos e também um grande fã dos louvores cantados na igreja. Haviam limites para as suas paixões.

– A senhorita Hyuuga disse isso? – Indagou enquanto olhava para a estrada na qual passavam.

– Neji Hyuuga, ele jogou na minha cara que a filha de um nobre não deveria casar-se com um fazendeiro. – Bufou.

Ao longo do caminho o Uchiha trabalhava para manter aquele amargo de rejeição longe do amigo. Realmente Naruto era um ser barulhento e peculiar, mas ninguém deveria desmerece-lo apenas por conta de sua posição.

Com o passar do tempo, rapidamente chegaram à cidade. Seguiram até os estabelecimentos onde compravam as suas mercadorias, mas havia algo diferente.

– Estou com fome. – Afirmava o loiro.

– Cadê a novidade? – Resmungou sarcástico.

Cansado de ouvir o resmungar do loiro, cedeu aos pedidos do amigo. Logo deixou os sacos de trigo no estabelecimento onde estavam.

– Eu quero que você compre para mim. – Pediu.

– Você acha que sou seu marido ou algo assim? – Rosnou em descrença.

– Misericórdia! – Abraçou o próprio corpo. – Não fale uma besteira dessas, até me arrepiei. – Apontou para o braço onde o cabelo minúsculo estava de pé.

– Então vá você mesmos! – Ordenou.

– Não posso. – Murmurou acanhado.

– E por quê? – Rosnou já raivoso.

A demora da resposta causou um certo alarde, até o loiro dá pequenos pulos dando sinais de uma famosa dor de barriga.

– Mas agora? – Indagou surpreso. – Você estava ótimo nesta manhã. – Afirmou.

– E você sabe alguma coisa sobre o funcionamento do meu estômago! – Gritou seguindo para o banheiro. – Sai da frente que eu tô passando! – Afirmava enquanto empurrava os compradores da loja.

Com um logo suspiro o Uchiha apenas coçou a nuca e saiu em direção ao restaurante , que afirmavam ser o mais famoso, esse que ele nunca pisou nem o solado do dedo mindinho. Ao aproximar-se da pequena construção, avistou homens que ocupavam a maioria dos bancos do local.

Ao entrar o sino soou, esse sendo responsável pelos anúncios da chegada de cada cliente, e logo sentou-se na mesa perto da janela que dava vista para a rua de barro cheia de homens de caráter duvidoso. Ao fundo escultou alguém falar algo, mas tudo se tornou um pleno silêncio quando uma segunda voz chegou aos seus ouvidos.

Essa sendo dócil.

A moça de roupas em azul e com uma faixa que escondia os cabelos desgrenhados, estava com o rosto virado para a jovem morena. Não havia problema nenhum naquela indiferença, não, não havia problema algum no aroma que a jovem de pele branca exalava e mesmo sendo de rosas silvestres.

Ele amava as rosas silvestres.

O problema estava nos olhos, sim. No exato momento em que a face voltou-se para si, o rosto cheio de sarnas marcadas e de nariz pequeno e fofo e também de lábios tão vermelhos e belos. Não esse não era o problema, o rosto belo e fofo não eram o problema, mas os olhos com um brilho diferente, eles também não eram o problema, mas sim a resposta.

Era ela, a sua tão aguardada esposa.

Ela estava ali.

– Esposa? – A voz melodiosa soou novamente. – Oh, o senhor veio aqui por conta do anúncio do casamento? – Puxou a bandeja de encontro aos seios. – Veja bem, não existe esposa alguma aqui. Sou apenas uma garçonete que sabe bem chutar os seus países baixos. E se caso veio até aqui pelo anúncio, volte para o garimpo de onde veio! – Ordenou.

Ela estava brava? Extremamente brava, quase saindo fumaça como uma chaminé. Mas infelizmente aos olhos de Sasuke, ela estava uma graça. As bochechas coravam ainda mais, e os olhos tornavam-se afiados.

Terrivelmente encantadora.

– Está sorrindo? – Indagou incrédula.

– A senhorita é bela. – Sorriu. – Sabia que as sardas de seus rosto se assemelham a constelação do céu? – Descansou o queixo sobre as mãos. – É tão empolgante saber que a minha esposa é bela de tantas formas. Me sinto honrado em tê-la conhecido. – Disse verdadeiramente empolgado.

– Como tem tanta certeza que serei a sua esposa? – Mesmo irritada com a ousadia do homem, o enfrentou.

O moreno por sua vez ergueu apenas o polegar, apontou para o céu.

– Talvez intuição divina? – Sorriu.

A rosada chocada apenas abriu os lábios, estava espantada com as falas e até mesmo a face daquele homem. Ele não podia ser daquele lugar, ele aparentava ser bom de mais , ou louco de mais.

Ao voltar para o balcão foi interrogada por Tenten, que outra hora assitia a interação muito longa entre os dois.

– Quem é? – Sussurou de trás do balcão.

– Não é garimpeiro, nem mesmo ladrão e muito menos um bêbado. – Disse com certo tom de desprezo.

– Então? – Indagou sem entender.

– Um louco, talvez fugitivo de alguma prisão. – Suspirou. – Mas normal esse homem não é. – Balançou a cabeça.

Atrás de si, o moreno assistia cada ação que era feita por ela. Os olhos negros brilhavam, abundantemente.

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