

O caminho até a fazenda Uzumaki havia sido bem caótica, pois o senhor Uchiha não parava de perguntar coisas sobre a jovem ao seu lado.
– Para quê tantas perguntas? – Indagou ao ponto de chutar o moreno dali.
– Eu sou o seu noivo, quero saber os gostos da minha futura esposa. – Respondeu. – Coisas como, a sua cor favorita, as preferências de comida, lazeres favoritos e passatempo.
Aquela questão fez a rosada pensar, realmente não conheciam muito um sobre o outro. Bom, ele estava certo, iria se casar a final de contas.
– A minha cor favorita é vermelho. – Murmurou. – Comida, provavelmente alguma coisa doce. Lazeres? Isso eu não sei.
– Como não? – Indagou. – Nunca foi a um lago ou a passeios?
– Não. – Respondeu. – Não tem lagos perto de casa.
– Mas agora terá! – Afirmou. – A nossa casa foi construída perto de um lago, mas esse é só para pescar. – Contou. -Você já pescou? Eu gosto.
O resto do caminho Sasuke Uchiha não parou de perguntar ou responder perguntas bobas. Aquele homem sorria a cada mínima interação ou interesse de Sakura para com a conversa.
– Olha lá! – A voz animada de Sasuke bradou. – Aquela ali, é The Spring Sun.
– Nossa. – Exasperou sem fôlego.
Do alto da colina se podia ver as inúmeras árvores de cerejeiras, as pétalas que subiam junto do vento deixando a vista extremamente linda. Se podia ver entre as árvores um grande celeiro de cor branca, a estrada vermelha tornavam-se um pátio cercado por duas construções além do celeiro.
– Essas árvores… – Apontou para a grande árvore que parecia saudá-los já na entrada do portão.
– Flores de Sakura. – Respondeu. – Estão aí bem antes de chegarmos, tio Minato teve que modificar algumas construções para não tirá-las.
Os lábios avermelhados ergueram-se em um sorriso, ela estava agradecida pelo senhor Namikaze não retirar as árvores. Sempre sonhou em morar no lugar onde aquelas árvores rodearia a sua casa.
– Eles chegaram! – Uma voz muito escandalosa soou. – Mãe, eles chegaram, mãe! – Sem parar repetia o chamado.
– Deixe de ser escandaloso Naruto! – A mulher de cabelos ruivos brigou.
Os dois estavam de pé no centro do pátio de terra vermelha, ambos vestiam roupas de cores neutras, cinza e marrom. Mas não havia nenhum sinal de sujeira ou ao menos que aquelas roupas eram do dia à dia.
Isso só fazia Sakura sentir-se extremamente feia, e deslocada.
– Sejam Bem-vindos. – Disseram os Uzumaki’s.
Após a carroça já ter chegado até eles, o moreno desceu mas a rosada paralisou pois, em questão de altura Sasuke era muito mais alto que ela, e por isso não havia medo nenhum. Mas já ela, com os seus um metro e cinquenta, não sabia o que fazer, afinal na hora de subir o senhor Uchiha a ergueu.
– Por quê ela não desce? – Sussurrou ao ouvido da mãe. – Será que ela não sabe descer de uma carroça? – Continuou entre sussurros.
– Qual o problema? – Questionou Kushina para o sobrinho.
Pronto para responder que não sabia, os olhos negros foram até os esmeraldas que indicavam algo. Aí desceu os olhos para onde a Haruno apontava, entendeu, e prontamente sorriu largamente.
– A minha futura esposa é delicada e também pequena. – Começou com um sorriso. – Me esqueci desse detalhe, me desculpe querida. – Sorriu provocativo erguendo a mão para ajudá-la.
Pronta para indagar e também se defender, pois falaram de sua altura, deixou para segundo plano quando os braços finos de Kushina lhe cercaram.
– Oh Meu Deus! – Apertou-a. – Meu sobrinho, a sua noiva é uma bela mulher. De olhos lindos. – Sorriu da forma mais genuína de todas.
– Eu sei tia. – Sorriu satisfeito.
– Olha como está se gabando. – Sussurrou Naruto. – Nem se casaram, e agora que vi a sua esposa tenho certeza que poderei descansar em paz. – Sorriu de lado. – Aliás muito prazer bela dama, sou o cavaleiro mais cobiçado do Oeste, Naruto Uzumaki.
– Muito prazer. – Curvou a cabeça. – É um grande prazer lhe conhecer também senhora Uzumaki. – Sorriu para a ruiva.- Sou Sakura Haruno, tenho vinte anos e moro em Brighton. – Apresentou-se adequadamente.
Após as apresentações todos seguiram para dentro de casa, onde havia chá os esperando.
– Bom, já nos apresentamos. – Iniciou Kushina. – Agora partiremos para o mais importante. – Sorriu.
– Certo. – Assentiu.
Com um olhar afiado, Kushina Uzumaki ordenou que os dois homens se retirassem para que pudesse conversar tranquilamente com a jovem.
– Eu tenho quê cuidar das ovelhas. – Aceitou Sasuke a ameaça da tia. – Logo estarei de volta Sakura, coma um pouco. – Estendeu a bandeja de biscoitos.
Antes de sair, pegou um dos biscoitos e provou, sorriu como se dissesse que tudo estava bem. E logo após saiu junto de Naruto.
– Que mal educado. – Murmurou Kushina. – Senhorita Haruno, vou ser sincera com você.
– Claro. – Assentiu.
A rosada sabia, a mulher a sua frente falaria que mulheres de Brighton, não são para casar. Afinal, sabia da fama da cidade.
– Quando Sasuke nos contou que casaria, me senti radiante. Afinal, ele é bom homem e também merece uma grande mulher. – Bebeu do chá. – Então quando ele me contou onde conheceu a senhorita, temi e até pensei em fazê-lo desistir desse casamento. Mas pensei por um longo tempo, e lembrei que ele sempre se empenhava no trabalho para terminar logo e ir até você. Assisti em silêncio ele cantar músicas enquanto plantava flores, e ele nunca se importou com elas.
O rosto de Kushina estava iluminado, parecia que quando mais ela se lembrava, mais se dava conta de quê aquele casamento era uma benção.
– Ouça querida. – Segurou as mãos de Sakura. – Não sei como ou o por quê de Deus ter levado ele até você. Mas saiba que aquele Uchiha rabugento, a ama e por você ele fará coisas que todos duvidariam se você contar. – Sorriu.
– Senhora Uzumaki, como tem tanta certeza? – Questionou desacreditada.
A ruiva por sua vez sentou perto da jovem, aproximou-se do ouvido dela e sussurrou.
– Os olhos de Sasuke brilham de uma maneira diferente. – Piscou.
Imersa aquele semblante risonho, os grandes olhos esmeraldas piscavam pois não compreenderam o que aquilo significava.
– Você vai entender. – Afirmou. – Como deseja quê façamos a sua entrada?
– O que? – Piscou. – Ah, sim o casamento. – Suspirou. – Não tenho ideia.
– Minha querida, eu estou aqui para lhe ajudar. – Acariciou o ombro da rosada. – Ouvi de Sasuke que você tem uma tia com muitas opiniões. Acho melhor ir até a casa de vocês, lá poderemos decidir.
– Sim, eu desejaria que a tia Tsu estivesse envolvida. – Sorriu.
Enquanto conversavam o tempo logo se passou, só pararam quando Sasuke surgiu chamando a Haruno.
– Já está tarde. – Avisou.
– Oh céus, o tempo voou. – Disse Kushina feliz. – Querida, tudo dará certo. Irei encontrar um bom lugar para o casamento. – Afirmou.
– Obrigado, senhora Uzumaki. – Sorriu.
Após a despedida o casal subiu na carroça e logo partiram em direção a cidade. A medida em quê eles se afastavam da fazenda, mais podia se deslumbrar com o show que o pôr do sol e as árvores de cerejeiras lhe proporcionava.
– Sasuke. – Chamou o moreno enquanto assistia a vista. – Avise a sua tia que eu já encontrei o local perfeito.
– Aonde? – Indagou voltando-se para onde ela olhava.
Ao entender o Uchiha sorriu, concordava que a fazenda no horário do pôr do sol tornavam-se belíssima.
O caminho foi cheio de ideias do próprio Sasuke para o casamento, das flores aos convidados. Ele deu as ideia a Sakura, pois Kushina sempre descartava tudo o que ele pedia ou falava.
– Você quer convidar todas as mulheres que procuraram por você?! – Exasperou surpresa.
– Eu disse que as convidaria. – Sorriu satisfeito.
Os dois já estavam em frente à casa de Sakura.
– Já está escurecendo. – Disse ao olhar para o céu. – Se apresse e volte para casa. – Ordenou.
– Com uma noiva tão preocupada assim, eu não preciso de mais nada. – Sorriu.
Com um aceno o Uchiha foi embora, os olhos verdes assistiram o uchiha sumir na rua. Assim, os olhos se voltaram para o local de barulho altos e de onde os homens bêbadas saiam.
Com determinação ela seguiu até o grande Palácio, onde homens usavam as mulheres como queriam. Quem pagasse mais, era tratado como rei.
– Oh, nossa! – Um grupo de homens exclamaram. – Sakura Haruno está voltando para o trabalho? – Questionavam entre si.
As mãos pequenas contorcia o tecido do vestido azul, os lábios tremiam em grande angústia. Aquele lugar, os odores, os sons, tudo ali lhe dava náuseas.
Ela entrou no lugar, o grande salão estava cheio de homens que estavam acompanhados por mulheres seminuas.
– Sakura! – Gritou Kiba que estava sentado em uma mesa. – Olha que coincidência, estou acompanhando dos clientes que mais vinham procura por você. – Referiu-se aos velhos sentados com ele na mesa.
– Fico feliz em não lembrar dos seus rostos senhores. – Sorriu. – Kiba, soube que andou falando de mim.
O moreno ergueu a sobrancelha como se dissesse, que não se importava.
– Sabe a história? – Sorriu. – Ela me parece muito com a da Hana, a mulher que me acolheu quando cheguei aqui. Lembra dela? – Indagou.
– Não recordo o nome de todas que trabalharam aqui.
– Que triste, você o irmão mais velho não lembra da irmã que você trouxe para trabalhar aqui? – Gritou. – E também a mesma que engravidou de um saqueador, gravidez essa que só você e eu sabíamos. E advinha ela apareceu morta, dois dias depois de me contar! – Agarrou a gola da camisa.
– Do quê você tá falando?! – Gritou já de pé.
– Kiba Inuzuka, você matou a sua irmã e o bebê no ventre dela! – Apontou para o peito do homem. – Você contou para a madame do palácio da gravidez da Hana, eles forçaram ela a abortar o bebê! – Gritou no meio da salão. – Ela confiava em você, ela queria viver ao lado do bebê dela. – As lágrimas rolavam pelo rosto vermelho.
Todos assistiam a declaração da Haruno, a mulher contava a experiência que teve ali.
– Ela. – Soluçou. – Era boa e gentil, eu a vi morrer Kiba! – Gritou. – Assisti em silêncio escondida no armário do nosso quarto. – Apertou as mãos em volta do peito. – Ela clamou pelo bebê dela.
Flashback
Kiba e madame Terumi adentraram o quarto de Hana. Abordaram a jovem sentada no chão.
– Kiba, não por favor. – Implorou. – É o meu bebê, por favor deixem ele.
Gritos se ouviram, Hana esperneava e lutava para não tocarem nela. Mas no fim, o corpo parou de se debater e os dois saíram levando-o.
A porta do guarda-roupa abriu-se revelando a garota de cabelos róseos.
– Hana! – Clamou em meio às lágrimas.
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– Mas você, em que ela mais confiava não fez nada. – Soluçou. – Eu me odiei por não salvá-los, mas, mais do que odiar a mim mesma, eu te odeio. – Bateu no peito do homem. – você podia salvá-los, mas não fez nada.
– Você deveria estar agradecida, por eu ter te deixado viva. – Rosnou.
A branca mão limpou o rosto, os lábios vermelhos se abriram em um sorriso amargo.
– Viva?! – Gritou. – A cicatriz que você deixou na minha costela discorda. Se era para ser grata por algo, você deveria ter me matado Kiba, quando eu quis morrer. – Rosnou.
Flashback
– Você deveria ter ficado calada. – Disse partido para cima do corpo fraco.
Foram grandes socos e tapas, o corpo antes branco agora estava cheio de hematomas e também uma grande ferida ensanguentada.
Abaixo do seio esquerdo, na área da costela.
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– Escute bem. – Rosnou. – Eu irei me casar, e um dia aprenderei a perdoar você. – Agarrou a gola da camisa. – Mas até lá, aconselho que mantenha o meu nome fora de fofocas.
Com um último olhar para o moreno, a rosada saiu de cabeça erguida. Finalmente compartilhou aquilo que ouviu e viu, e mesmo sendo mandada embora após tudo isso, ainda levava consigo as cicatrizes.
– Agora sim, eu posso me casar. – Disse com grande alívio.
Ao atravessar a rua, viu de longe Tayuya correr em sua direção.
– Senhorita Haruno, depressa! – Puxava a mulher pelo braço. – A madame Senju, ela, ela… – A voz estava embargada.
– Tia Tsu…. – Murmurou.
As duas mulheres correram em direção à casa da Senju, ao adentrar Sakura avistou todos os seus conhecidos na sala, todos muito tristes. Seguiu o caminho até o quarto da tia, encontrou a mulher de cabelos soltos deitada sobre a cama.
– Tia Tsu… – Ainda na porta a chamou.
– Oh minha filha, por quê demorou tanto? – Ergueu as mãos. – Venha, chegou a hora. – Sussurrou.