
Saphira
Eu e o meu pai levamos eles até a casa deles, eu já tinha estado lá, ao mesmo tempo que me traz lembranças ruins, também me traz lembranças boas (e mesmo sendo egoísta, eu preferiria não conhecer esse lugar, porque talvez, eu pudesse evitar esse terrível acidente, e talvez, a minha mãe não tivesse morrido).
Eu não consigo tirar da minha mente o seu sorriso, a sua voz, o seu olhar (que era tão parecido com o meu), o seu jeito, as suas falas (que pareciam sempre saber a coisa certa a dizer), sinto falta dela, mesmo passando menos de 24 horas, porém eu sei que nunca mais vou ver ela, eu sei que ela era o meu tudo.
Minha família é o meu tudo, e agora eu só tenho o meu pai, a única pessoa que sobrou depois que foi o desastre dessas duas semanas.
Eles pegaram as suas coisas, e fomos para o Hotel. Eu não tenho mais lágrimas para chorar, eu não sinto mais nada, parece que eu nem existo mais, só o que está presente é um corpo de qual um dia foi Saphira Lolla Mitchel, porque não sou mais essa mesma pessoa, não sou mais a garota sorridente, não sou mais a garota que um dia acreditava em destino e amor à primeira vista, só sou um espelho do qual um dia eu fui.
Chegamos ao hotel, eu e os gêmeos ficamos no mesmo quarto (o meu pai decidiu dar mais privacidade para a gente, ele acabou decidindo ficar em outro quarto sozinho). Eu nem sei como era o hotel e muito menos o quarto, não via nada na minha frente, eu só fazia tudo no automático.
– Quer conversar? – Johanna perguntou depois de nós termos entrado no quarto e sentarmos na cama.
Eu só discordei com a cabeça.
Eu não tinha voz, não tinha ânimo.
A minha vontade de chorar não passava, porém não tinha mais lágrima, quando eu pensei nisso, eu vejo o Johann na minha frente com um copo de água, eu nem sei que horas ele pegou isso, eu só sei que eu peguei o copo de água que estava nas mãos dele, e logo em seguida ele falou.
– Você chorou muito hoje, vai acabar morrendo desidrata. – Eu não respondi nada, só peguei o copo da mão dele, nem liguei para o choque que correu pelo meu corpo todo quando acidentalmente a sua mão tocou a minha. Tomei a água do copo todo, nem percebi o quando estava com sede. – Você quer comer alguma coisa?
– Não, obrigada. – Forcei a minha voz a sair. – Só quero dormir, boa noite.
Não tomei banho, não escovei os dentes, não troquei de roupa, não tinha forças para fazer nada disso.
Eu deitei na cama e dormi, por incrível que pareça, eu dormi.
Acordei me sentindo um pouco melhor, olhei para as duas camas ao lado, e percebi que o Johann e a Johanna já estavam acordados. Levantei, tomei um banho, coloquei uma roupa qualquer, que consistia em uma blusa marrom e uma calça totalmente preta com alguns botões na frente, a blusa estava por dentro da calça, também estava com um bota de cano curto preta.
Sai do quarto, e eu acabei escutando a voz dos gêmeos, eu segui para dar um oi, até que eu escutei uma coisa que acho que não era para eu escutar.
– A Saphira vai morrer. – O Johann sussurrou, mas como eu estava perto, acabei escutando, e me escondi numa parede, para escutar o resto.
Eu sei que é falta de educação, eu sei disso, mas o que você faria se escutasse essa frase? Eu não perguntaria para eles, vai que eles mentiriam para mim?
– Quem foi que matou a mãe dela?
– E eu é que sei Johanna? Eu só sei que o meu poder está cada vez mais forte e os meus sonhos estão ficando mais recorrentes com o tempo, a gente tem que proteger ela.
– Eu sei Johann, mas não tem como há prender 24 horas por dia, ia ser muito esquisito.
– Eu sei.
– Você consegue ver o dia que isso vai acontecer?
– Aí que está o problema, eu não sei.
O que é tudo isso? O Johann tem poderes? E isso está ligado de alguma forma a mim? Como isso é possível? Porém pensando bem, isso não seria totalmente impossível, pelo simples fato de ser o Johann, o cara mais esquisito do mundo, e que tem uma aura de morte.
Eu fui para o meu quarto pensar, não queria escutar mais nada, queria esquecer o que eu ouvi, com que cara eu vou olhar para eles agora? Com que voz eu vou falar com eles? Primeiro o meu irmão, depois a minha mãe e agora isso, será que está tudo entrelaçado? E o pior, será que o Johann tem alguma coisa a ver com isso? Sacudi a minha cabeça, não, isso seria impossível, isso sim seria 100% impossível, mesmo não conhecendo o Johann muito bem, eu sinto que eu posso confiar a minha vida a ele, e eu sei, estou dando um tiro no escuro, mas só estou pensando no que o meu coração está me dizendo.
Eles entraram no quarto, fazendo barulho, como sempre.
– Oi Saphira, já acordou? – Queria ser sarcástica agora, mas não consigo, é muita coisa para digerir. – Está melhor?
– Sim, obrigada por ficar aqui comigo, nesse momento muito difícil.
– Não agradeça.
– Saphira, tem certeza que está bem?
– Sim Johann, por quê? – Torci para ele não notar.
– A sua cara está péssima, parece ter visto um fantasma. – Não vi um fantasma, mas escutei uma coisa que chega quase perto disso, quis dizer, porém ao invés disso, eu disse.
– Não, eu estou bem, realmente.
– Okay.
Não deu tempo de a gente fazer nada, só sabemos que o Johann desmaiou assim do nada.
– O que a gente faz?
– Saphira chama os enfermeiros, deixa que eu cuido disso.
– Tem certeza? Ele parece estar com muita dor. – O Johann estava com uma cara que dizia que estava com muita dor, porém não falava nada.
– Tenho, vai logo, eu cuido dele.
Nem deixei ela terminar de falar e já fui logo na enfermaria, disse que tinha uma pessoa desmaiada no nosso quarto, eles me seguiram com uma maca, pegaram o Johann, e o colocaram na maca, e depois levaram-no para a enfermaria (com eu e a Johanna indo atrás deles). O colocaram na cama, e logo em seguida, ele começou a convulsionar, se debatendo e também saindo espumas pelo boca, os médicos seguraram ele, porque se não ele ia cair, de tanto se debater. Depois de 5 minutos ele parou, e parecia que nada aconteceu, a Johanna parecia calma, como se aquilo já tivesse acontecido várias vezes, e já era normal.
Depois de 5 minutos ele acordou, sentou como se nada tivesse acontecido e falou:
– Eu sou o anjo da morte, e a morte está próxima. – Falou com uma voz robotizada, como se não fosse ele naquele momento, como se ele estivesse possuído.
O que acabou de acontecer?
